segunda-feira, 16 de junho de 2014

A história dos Odus
ODUS
Odus são presságios, são destinos, predestinações. A palavra Odu por si mesmo quer dizer caminho é o destino, é aquilo que a pessoa traz ao mundo quando nasce e é o que vai regê-la por toda a vida. Cada pessoa traz o um Odu de origem, são eles que trazem a inteligência a cada criatura do universo e cada um deles tem a sua característica própria.
O odu é como um signo, é uma marca que a pessoa traz de acordo com tudo aquilo que ela faz de bem ou de mal através de todas as encarnações que ela teve através do seu registro arcático.Signo quer dizer marca e Odu também é uma marca. A pessoa tem todo um arquétipo do filho daquele Odu. É bem diferente de signo porque não se tem uma data certa, porque na África não existia calendário. Os odus são os principais responsáveis pelo destino do homem e do mundo que os cerca e cad odu possui um nome e uma característica própria que dividem os caminhos e onde está atado ao seminúmero de muitos conhecimentos nos etano de Ifá.
Os Orixás não mudam o destino da pessoa e nem da vida, e sim executam funções dentro da natureza, liberando energia para q1ue todos possam se alimentar e viver.
O Odu é o caminho. O Odu é o destino. O Odu é a existência o qual o Orixá e todos os seres que estão inseridos existem. Todo mundo já escutou a seguinte frase: “com o destino não se brinca”. Isso porque a sua vida é o Odu, que quer dizer o destino, carma, existência. O Odu é que dá caminho, o Odu é que traz.
Cada pessoa pode ir de encontro ou seguir um destino alheio ao seu destino estabelecido e quando isso acontece, dizemos que esta pessoa está com o Odu negativo, pois nós temos o Odu positivo e o Odu negativo, ou seja, o seu destino, a sua conduta foge as regras siderais que estão predestinadas, seguir a um caminho negativo dentro do estabelecido, então alguma coisa tem que se fazer.
Quando nascemos, somos regidos pelo Odu do Ori, que quer dizer cabeça, este Odu é que representa o nosso eu, aquilo que está dentro da gente assim como o Odu que vai traçar o nosso destino. Então o Odu da nossa cabeça é que nos guia no dia a dia para a gente vencer o nosso caminho, e cada Odu tem uma quantidade de caminhos, porque afinal de contas, ele fala de tudo na vida. Fala dos sentimentos, do futuro, do presente, das doenças, da conduta da pessoa, o que pode ser evitado, o que a pessoa deve comer no decorrer da sua vida e o que não deve comer para evitar percas e também para que não chame para cima de si, coisas negativas, energias negativas.
O Odu fala até da própria fecundação da terra, ele começa com a própria criação da terra que são os 16 Odus principais. Tudo para o afro existe os dois lados. É o perfeito equilíbrio. Temos a mão direita, temos a mão esquerda, temos o dia e temos a noite, e dentro d nossa vida, nós também não podemos só ganhar, também temos a nossa fase ou de perca ou de parar. Então justamente todo e qualquer Odu, ele tem um lado que vem trazendo boas novas, como também tem o outro lado que vem pressagiando problemas, é quando as pessoas falam: “O Odu está negativo, o Odu está ruim”. Não! Ele tem as fases dele. Todo Odu tem os dois lados: positivo e negativo.
Existem muitas lendas de como nasceram os Odus, porém a mais bonita dizia que Ifá era mudo até a sua juventude, e o pai de Ifá aconselhado por alguns sacerdotes que existiam naquele tempo fizeram com que o pai dele desse com o bastão na cabeça de Ifá e tanto esse bastão foi dado na cabeça de Ifá que ele começou a falar as palavras e cada palavra era um Odu e assim foram saindo os Odus principais.
Como já vimos, existem os 16 Odus principais que depois de desmembrados, vai dar 256 Odus, que com mais desmembramentos vai dar mil e poucos odus. É todo um universo e a pessoa leva mais ou menos dois anos de estudo para que possa ter um conhecimento quase que total, pois existe a conjunção de um Odu com outro, aonde vai começar ser os desmembramentos. Por exemplo, o de Ossá, Ossadi, etc.
As energias associadas aos Odus baseiam-se no que a pessoa herdou por parte dos antepassados, a relação dela com os elementos água, terra, fogo e ar e vários outros cont6extos psicológicos, espirituais, físicos e mentais.
Quando se trabalha com odu, não precisa de qualidade de santo, porque se percebe as características, as diferenças do comportamento do Orixá, através dos caminhos daquele odu. Por isso que não há necessidade de qualidade de santo. Quem trabalha com odu, tem um território muito maior, porque existem sessenta e cinco mil e tantos odus, então se consegue perceber o posicionamento da qualidade, porque o problema da qualidade não é o nome em si, o problema da qualidade é quando se coloca um santo para comer com outro sem conhecer os fundamentos correto de um santo com outro e aí acaba se criando misturas e combinações que são complicadas.
Odu e Carma. É muito comum a pessoa confundir esses dois pontos, como se o odu da pessoa estivesse inserido no carma. Carma é a lei de ação e reação. Se você faz uma coisa, seja ela boa ou ruim, você vai ter resposta daquilo na sua vida. O carma, ele não é necessariamente uma coisa ruim, porque se você tem uma boa ação, se você faz a ação correta para a sua vida, o retorno dessa ação correta vai ser positivo para você. Então o carma é simplesmente isso, a lei de ação e reação. Já os odus são os caminhos do destino de uma pessoa associada as suas energias particulares. As suas energias que se baseiam no que ela herdou por parte dos antepassados, a relação dela com os elementos água, terra, fogo e ar e vários outros contextos psicológicos, espirituais, físicos e mentais. O Odu, ele pode superar o carma na medida em que o odu possa lhe ensinar qual á e a sua ação correta.
A magia do Odu é importante porque através do conhecimento dos odus, você pode saber direitinho o que você deve fazer na sua vida para ter um resultado positivo. Aí o carma passa a agir a seu favor. Por isso carma é uma coisa e odu é outra completamente diferente. O odu é a consciência do seu carma. È a consciência da sua energia e você vai aplicando isso com consciência, com sabedoria você pode burlar o carma.
O Odu pode superar o carma na medida em que o Odu possa lhe ensinar qual é a sua ação correta. A magia do Odu é importante, porque através do conhecimento dos Odus, você pode saber o que deve fazer na sua vida para ter um resultado positivo. Aí, o carma que é a lei de ação e reação passa a agir a seu favor. O Odu é a consciência do seu carma. É a consciência da sua energia e aplicando isso com consciência e com sabedoria pode se burlar o carma

sábado, 14 de junho de 2014

Obà - Guerreira do Amor.

Divindade feminina, do rio Obà, uma das esposas de Sàngó e de Ògún, que lidera a Egbé Elékò (Sociedade composta apenas por mulheres guerreiras – amazonas), cultuada para que não haja desentendimentos no casamento.

Misteriosa porém com muitos trejeitos masculinos. Em batalha, luta de igual para igual com qualquer um que se atreva a afrontá-la.  Obà escolheu a guerra como prazer nesta vida, enfrentava qualquer situação e assim procedeu com quase todos os orixás, vencida apenas por Ògún quando o mesmo trapaceou na batalha. Embora seja velha e desajeitada, assim como sem charme, é vigorosa, corajosa e leal.


Não é raro encontrar uma filha de Obà. Sendo que muitas casas por medo as iniciam para Òsún ou Oya. Elas são valentes e guerreiras. Sabem o que querem e vão até o fim. São possessivas, amorosas e ao mesmo tempo tem dificuldades para serem gentis, são duronas e inflexíveis.

Enquanto Iyemanja é a superfície dos rios e Òsún o fundo das águas, Obà esta representada pelas quedas de água, as cascatas, águas fortes e correntezas.




Obà é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o coronário inevitável do amor, portanto, Obà é a deusa do Amor e da Paixão incontrolável, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Obà tem ciúme porque ama.

Obá é a Iyámi Egbé, ela é a Iyá Abiku, desta forma é ela a encarregada de enviar ao mundo as crianças que nascem como castigo para seus pais. O que Sàngó representa para os mortos masculinos, Obà representa para as mulheres mortas. Ela assim como Sàngó é a representante suprema da ancestralidade feminina.











Obà Gideo - Guerreira e caçadora, aquela que percorre as matas com seu escudo e sua espada. Ligada a Òsóòsì e a Oya. Usa um ofá nas mãos. Representa Obà em um aspecto mais novo, aquela que é temida por não perder as guerras.












Obà Rewa - Líder da Egbé Eleko, o orixá que mais amou e chegou a se mutilar para agradar seu marido. Suas ferramentas são de cobre. Representa Obà em seu aspecto mais velha, depois de ser vencida por Ògún e ter casado com Sàngó. Possui um amor incondicional e defende a todos como se fossem seus filhos.

Ewe - Ejìnrìn



Nome Yorubá: Ewe Ejìnrìn
Nome Popular: Melão de São Caetano
Nome Científico: Momordica charantia L., Cucurbitaceae

 É uma folha feminina, de gún (excitação), ligada ao elemento terra. De origem asiática, foi introduzida há muito anos nas Américas, hoje encontrada em todo o território nacional. As folhas desta planta eram usadas pelas lavadeiras para clarear a roupa. Foi trazida da África ao Brasil pelos escravos que usavam o seu chá em banhos para facilitar o parto e para baixar febres.

É utilizada em àgbo ìgbèrè (banhos compostos por diversos elementos de origem vegetal, animal e mineral, utilizado em iniciações) de iniciados dos Òrìsà Òsúmarè, Nàná Bùkúù e Òsányìn. 

É usado largamente nos assentamentos de Òsúmarè e Òsányìn. 

É amplamente utilizada no culto a Égún.

Em òògùn (medicinas) curativas e mágicas, usa-se preventivo de gripes e febres (pequenas quantidades de chá fraco), leucorréia, cólicas de vermes ou menstruais (chá). Pomada supurativa das sementes. A planta toda é purgativa, ajuda contra hemorróidas e diabetes e é abortiva.
Ebó - O equilíbrio energético.

O ebó é a reunião de componentes do reino mineral, vegetal e animal que reunidos vão eliminar a parte negativa e reaver a parte positiva afetada, trazendo desta forma o equilíbrio pessoal.

Todos nós temos um campo energético ao nosso redor conhecido como “aura” a aura humana seria assim como se fosse um campo de proteção corpórea e espiritual, desta forma o pólo negativo para atingir a nossa matéria tem que primeiramente ultrapassar a nossa aura, este pólo negativo rompe a aura através de impactos contínuos na camada áurea o que acaba por ocasionar uma lesão abrindo naquele determinado ponto um rompimento da áurea permitindo desta forma que o negativo possa passar para a nossa matéria e nossos caminhos trazendo assim uma serie de doenças, atrapalhando os caminhos materiais, profissionais, sentimentais, familiar, saúde, em fim, trazendo uma serie de transtornos em nossas vidas, transtornos estes que tendem a aumentar cada vez mais, pois uma vez penetrada a aura abre espaço para que vários outros pontos negativos passem e se instalem em nossos caminhos em nossa matéria.

Temos no mesmo momento que retirar estas forças negativas que atuam naquela pessoa, além disso temos ainda que recompor o equilíbrio daquela pessoa levando desta forma a mesma a recuperar o que foi perdido, razão pela qual se faz fundamental a aplicação do ebó que será determinado através do jogo de búzios.


Para cada pessoa existe um tipo de ebó diferente, ou seja, materiais a serem utilizados diferentes, ebó não é massa de bolo, que se junta farinha, ovo, leite, fermento, manteiga e açúcar se coloca no forno e esta pronto. Cada caso é diferente, como já falei anteriormente temos que utilizando materiais dos reinos terrenos para que de uma só vez, possamos eliminar o negativo, recompor a camada áurea, resgatar o positivo e o equilíbrio humano.
Airá - Os ventos de Savé.

Airá é um Deus relacionado a família do raio mas também é relacionado ao vento, seu nome pode ser traduzido como Redemoinho, vale lembrar que o redemoinho é o fenômeno que mais se assemelha a um furacão em território Africano. Airá então deve ser louvado como a divindade que rege o encontro dos ventos.

Seu culto é proveniente da região de Savé e Savalu que faz parte do território Jejê.

Mais seu culto não foi reconhecido em suas terras, mais tarde Xangô Sr, Rei de Oyo grande conquistador de terras ofereceu reconhecimento de seu culto em troca ele daria a chave do conhecimento do segredo de Savé, mas Xangô queria que ele fosse seu criado o mesmo não quis ser submisso a xangô, dai veio a sua iria porte sido enganado, Xangô procurou um adivinho (Ifá), o mesmo disse que ele teria que trazer o grande senhor funfun (Oxalá) só ele poderia acalma-lo, e assim foi feito. Airá não poderia mais voltar para sua terra natal, por ter traído todos da sua cidade revelando o segredo(o culto a nanã, a origem da criação humana) de Savé para os Iorubás, onde hoje o culto a nanã é mais forte nas terras Iorubá. Oxalá levou para suas terras e se fundiu seu culto.

Por esse atrito com Xangô, não se deve coloca-los juntos, nem podendo Airá ser posto em cima do pilão de duas bocas já que o pilão de duas bocas pertence a Xangô o que acarretaria a sua ira.

Airá não usa coroa, mas um eketé branco ou de palha da costa com búzios e guizos.

Ao contrário de Xangô, Airá não é o Orixá rei nem possui o carácter punitivo e colérico. Esta característica mais amena de Airá, pode ser evidenciada em uma de suas cantigas que diz:

"A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho, como um tambor".

O culto de Airá foi instalado no Brasil na Barroquinha, Pela Iya Akala, Sacerdotisa, Da Época de Iya Adeta, Cujo o templo foi dedicado a ele, Airá Intile.

Com festas e Casa Separadas, o culto dos Orixás ioruba nação Ketú se estabeleceu em cima do culto a Xango, pela presença das primeiras sacerdotisas fu
ndadoras e organizadoras das primeiras comunidades, daí Airá ser cultuado na Família de Xangô.

Sàngó Kan! Aiyrá Kan!
Xangô é único! Airá é Único!



Cosmogonia Iorubá
Este escrito, assim como alguns que se seguirão a ele, visa levar ao conhecimento dos leitores o “corpo religioso” em que se fundamenta o candomblé: sua cosmogonia, dogmas, liturgia e rituais. O artigo de hoje fala sobre cosmogonia, que é a explicação que as religiões, culturas e até mesmo a ciência – teoria do “Big Bang” – dão para esclarecer a origem do universo. A intenção é diminuir os conceitos preconcebidos de maneira errada que alguns têm sobre essa religião iniciatória. Ela é misteriosa, sim! Não porque a base em que se sustenta não possa ser transmitida, mas pelo fato de seus adeptos serem iniciados e por isto mesmo vivenciarem uma experiência com o sagrado que é individual, portanto, difícil, ou melhor, impossível de ser transmitida. Aqui será relatada uma parte da cosmogonia do candomblé, que conta a seguinte história mítica para demonstrar como a Terra foi criada:
“No Orum, Oduduwa unida a Oxalá formavam um só orixá – Obatalá –, símbolo do casal mítico primordial, propulsor da ‘Criação’, existente nas cosmogonias de diferentes culturas. No princípio de tudo, quando não havia separação entre o que está em cima e o que está embaixo, Oxalá e Oduduwa viviam juntos dentro da Cabaça-da-Existência. Eles viviam muito apertados naquele local, tendo que dormir um em cima do outro. O que determinava quem dormiria por cima ou por baixo eram os sete anéis que eles possuíam. Oxalá sempre conseguia colocar quatro anéis e por isto tinha o privilégio de ficar por cima. Oduduwa se conformou com aquela situação por muito tempo, mas um dia ela disse que usaria os quatro anéis. Oxalá não aceitou e a luta entre o casal/irmão foi tão grande que a ‘Cabaça’ se rompeu em duas metades, ficando Oxalá na parte superior e Oduduwa na parte inferior. Estava rompida a união do casal primordial. O Orum (Céu) já não podia mais ser a ‘residência’ dos dois orixás. Outro local precisava ser criado. Olorum resolveu, assim, criar o Aiye (Terra).
O oráculo de Ifá foi consultado e determinou que a missão de criar a Terra deveria ser realizada por Oxalá. Para que a missão tivesse êxito, Exu precisaria receber sua oferenda. A divindade suprema, Olorum, entregou a Oxalá a Cabaça-da-Existência, contendo nela o germe de tudo que há no mundo. Devido à grande ansiedade de realizar a tarefa, Oxalá se esqueceu de dar oferenda a Exu. Assim, Ele não pôde contar com o apoio do orixá símbolo da existência diferenciada, o princípio dinâmico de propulsão, mobilização, transformação e crescimento que conduz à criação. Oxalá se esqueceu da importância de Exu Yangí, a primeira matéria criada, formada de água e terra; a primeira matéria que daria forma a todas as outras subsequentes, inclusive daria forma à humanidade.
“A ansiedade de Oxalá lhe causou grandes problemas. Olorum tinha dito a Oxalá que durante sua missão ele estava proibido de ingerir vinho-de-palma: bebida que possui alto teor alcoólico. Aconteceu que a ansiedade sentida por Oxalá fez com que sua necessidade de beber água aumentasse. Em pouco tempo de viagem, todo o suprimento de água que Oxalá tinha levado foi logo consumido. Sentindo uma sede insuportável, Oxalá se viu forçado a ingerir a seiva do tronco do dendezeiro que Exu, cumprindo sua tarefa de fazer com que não fossem negligenciadas as ordens de Ifá, tinha colocado em seu caminho. Oxalá tomou uma bebedeira e caiu no sono. Sua esposa/irmã, Oduduwa, ao vê-lo naquele sono profundo, recolheu a Cabaça-da-Existência e foi devolvê-la a Olorum, que a passou, então, para Oduduwa – contraparte feminina de Oxalá – a importante missão de criar a Terra.”
A história mítica acima descrita é muito maior e mais profunda. Nela os adeptos do candomblé encontram importantes lições que os ajudam a compreender o mundo. Uma delas é o fato de que todas as tarefas precisam ser executadas com concentração, sem ansiedade, e com a cabeça livre de qualquer substância entorpecente, inclusive pensamentos que adormecem a mente. Outra lição é que fazer oferendas, dar presentes, é um ato mágico que ajuda na obtenção de simpatizantes para nossas causas.
6+5=12 A prosperidade no candomblé.
Para quem tem como prática religiosa o culto aos orixás, o dia 6 do mês 6 foi, e continuará sendo, de extrema importância. Afinal, no profundo sistema numérico do jogo de búzios, o número 6 foi o responsável por trazer a prosperidade para a Terra. Para o povo africano, de quem herdamos uma boa parcela de nossa filosofia de vida, ser próspero é uma obrigação. Por isso, nessa data, o “povo de santo” fica todo ouriçado: põe suas melhores joias, sai para fazer compras e faz oferendas. Tudo para atrair prosperidade. O alcance dessa graça é um dos maiores desejos do ser humano. Mas quem é essa tão desejada prosperidade?…
Diferente do que normalmente se costuma pensar, a filosofia yorubá não relaciona prosperidade, apenas, a dinheiro. A referida palavra quer indicar uma reunião de circunstâncias que precisam ser buscadas, para que se vá alcançando, continuamente, um estado mais elevado do ser, em seus diferentes aspectos: físico, emocional, social, espiritual e, é claro, financeiro. Até mesmo porque de nada adianta se ter muito dinheiro sem a tranquilidade necessária para saber usá-lo com sabedoria.
Quando elevamos nossos pensamentos aos orixás, dizemos: Olu wá mi, fún mi ni ekun fún mi ni owo = Venha meu senhor e me traga força pura para que eu possa ter dinheiro. Força pura é o axé que permite que os obstáculos sejam vencidos. É um grande risco, então, pedir dinheiro aos deuses, sem que se tenha antes pedido e alcançado o axé necessário para que ele seja um aliado e não um inimigo. Dinheiro, sexo e poder são como “faca de dois gumes”: tanto podem levar à ascensão como ao fracasso.
Este artigo é fruto da vivência que tive com dois filhos meus. Um pela empolgação e outro pela curiosidade demonstraram interesse de conhecer mais profundamente, e de acordo com a tradição que os guia, um tema a que outras tradições também se dedicam com afinco – a prosperidade, que na cultura yorubá é simbolizada pelo número seis. É através da leitura dos números que esse povo e seus descendentes encontram soluções para as dificuldades diárias. Os números falam e os mitos nos ajudam a entender o que eles dizem. Sem o conhecimento das histórias míticas nunca entenderíamos o porquê de ser dito: 6 + 12 = 5:
O número 6 e o número 12 surgiram de um bloco de ouro. Eles se apaixonaram, perdidamente. Dessa união nasceu Ajé – orixá símbolo da riqueza –, irmã de Yemanja – a dona da pérola e de outras pedras preciosas, orixá que tem no número 5 uma de suas formas de se comunicar. Do número seis, portanto, nasceram a riqueza e o costume de usar joias; mas também com ele vieram a vaidade e o orgulho, que podem levar à destruição de tudo que se conquistou. Esse número lembra-nos que o destino das criaturas é a prosperidade e que a humildade é uma das condições fundamentais para a aquisição desta graça.
O número 6 nos conta, através de um de seus mitos:
Todos os anos, Olorum fazia uma festa e convidava os números 1 a 16, a fim de que eles prestassem conta de seus atos na Terra. Encerrada a reunião, todos eram presenteados de acordo com o valor de seus méritos. Naquele ano, porém, a Divindade Suprema resolveu que daria um presente igual para todos. O número 6 era muito pobre e por isto seus irmãos foram até sua casa, antes da festa, para almoçar. A real intenção era humilhar o dono da casa, que mal tinha como alimentar sua própria família. Seis deu tudo que tinha guardado para a alimentação do mês. Nem assim deixou de sofrer gozação. Já cansado de tanta humilhação, ele desistiu de ir à tal reunião. Olorum sentiu sua falta, mas nada comentou.  No final da festa, os números, de 1 a 16 (menos 6), receberam uma abóbora. Todos ficaram revoltados com um presente tão simples e despejaram todas as abóboras na casa de 6. Eles só não sabiam que os frutos estavam recheados com ouro e joias. No ano seguinte, todos se surpreenderam ao ver que o mais pobre dos irmãos era agora muito rico. Olorum, então, disse-lhes: Vocês todos têm riqueza, mas 6 tem prosperidade.
Encruzilhada - O palco da vida.
Quando se fala em encruzilhada, imediatamente surge na cabeça dos brasileiros a ideia de Exu e de “bozó”, nome pelo qual o povo gosta de designar as oferendas que o povo de candomblé faz fora do terreiro-templo. Claro que a referida divindade está, sim, ligada aos entrecruzamentos de caminhos. Mas o simbolismo da encruzilhada e, consequentemente, da cruz está presente em muitas religiões, sendo, assim, universal. O catolicismo soube enaltecer e ao mesmo tempo popularizar a imagem da cruz, mostrando Jesus sacrificando-se pela humanidade, momento em que ultrapassou seu estágio humano. A cruz, com seus quatro “braços” que apontam para os quatro pontos cardeais, é símbolo de orientação no espaço, para que a jornada humana não seja perdida.
A encruzilhada, portanto, é um lugar de pausa, um momento parado no tempo, que leva à mudança de um estágio a outro ou, simplesmente, de uma situação a outra. Quando, portanto, oferendas nas encruzilhadas são depositadas, está se pedindo inspiração para o novo caminho que se deseja trilhar. Está se pedindo a quem? A Exu, que é, na crença nos orixás, a divindade orientadora dos caminhos, responsável por mostrar a direção correta a ser tomada, tendo em vista que as dúvidas e incertezas possam, por fim, dar o descanso necessário à mente. Exu é a nossa bússola, aquele que nos protege para que não fiquemos desnorteados. Afinal, enquanto seres humanos, nós somos muito instáveis.
Em rituais celebrados pelo candomblé, a característica de instabilidade do ser humano é cantada: Pákun aboìxá; Ibà pa ràn tán axó dá ma aro; a fi dà wa rá àxé akó ma orixá; orixá wa baba alaye = Apague o fogo dos incêndios e nos proteja do aguaceiro; apague o fogo, o calor que se alastra; termine com as muitas discussões e tristezas criadas; nós somos instáveis, transforme-nos, imploramos sempre pelas suas instruções e sua doutrina, orixá. Seja nosso mestre, o dono do nosso modo de viver. Cecília Meireles, em seu poema Ou isto ou aquilo, também nos lembra dessa particularidade, que tanto desgaste dá à mente humana:
“Ou se tem chuva e não se tem sol/ ou se tem sol e não se tem chuva!// Ou se calça a luva e não se põe o anel/ ou se põe o anel e não se calça a luva!// Quem sobe nos ares não fica no chão,/ quem fica no chão não sobe nos ares.// É uma grande pena que não se possa/ estar ao mesmo tempo em dois lugares!// Ou guardo o dinheiro e não compro o doce/ ou compro o doce e gasto o dinheiro.// Ou isto ou aquilo… ou isto ou aquilo…/ e vivo escolhendo o dia inteiro!// Não sei se brinco, não sei se estudo/ se saio correndo ou fico tranquilo// Mas não consegui entender ainda/ qual é melhor, se é isto ou aquilo.”
A vida nos coloca sempre em encruzilhadas, onde somos obrigados a escolher que atitude tomar, por isto se diz que é na encruzilhada que se encontra o destino. É que as encruzilhadas, isto é, os cruzamentos de caminhos, são espaços sagrados, daí a responsabilidade que se deve ter com os rituais e, consequentemente, os pedidos feitos nestes locais. Por exemplo, é comum o hábito de se depositar oferendas para determinadas “entidades”, com o objetivo de conseguir um amor. Inocentes pessoas que, sem o conhecimento devido, não sabem que os amores assim conseguidos são passageiros, tanto que em latim a palavra encruzilhada é conhecida como trivium, significando aquilo que é trivial, que é efêmero.
Repetindo, as encruzilhadas são lugares sagrados onde se pede ajuda aos deuses para que tenhamos critérios nas escolhas feitas, a fim de não nos perdermos no caminho. São também nesses locais que pessoas que possuem o devido preparo espiritual, com muita responsabilidade e respeito, realizam rituais cuja finalidade é despachar, no sentido de expulsar, as energias negativas, que o sagrado consegue transmutar em energias positivas, para depois serem devolvidas aos homens, já livre de todas as impurezas. Pois as encruzilhadas são lugares, e momentos, de reflexão para escolha do caminho a seguir, mas também são lugares naturais para que possamos nos desvencilhar das negatividades por nós criadas ou em nós respingadas.
Ewe - Makasà


Nome Yorubá: Makasà
Nome Popular: Macassá, Catinga de Mulata.
Nome Cientifico: Aeollanthus suaveolens Mart


É uma erva de origem africana introduzida na cultura brasileira durante o processo de colonização.

É uma folha feminina, de èrò (apaziguamento), ligada ao elemento água. Utilizada em Omièrò (banho de folhas apaziguadoras), àgbo ìgbèrè (banhos compostos por diversos elementos de origem vegetal, animal e mineral, utilizado em iniciações) de iniciados dos Òrìsà Yèmoja e Òsún.


Em òògùn (medicinas) curativas e mágicas, é usado no combate à febre, dor de cabeça, início de derrame, sendo a folha a parte mais utilizada como chá e sumo. 


O Macassá,conhecida também como "cheiro do mundo",é uma folha que deve ser macerada com outras folhas cheirosas,é uma folha que jamais deve ser queimada.


Esta folha entra na junção de folhas para lavas os ojús e os búzios.